All I Need
Música tema da fanfiction "Um Baile Mortalmente Perfeito" Legendada.
All I Need - Clipe Oficial
Música tema da fanfiction "Um Baile Mortalmente Perfeito" em seu vídeo original.

Um Baile Mortalmente Perfeito

 O texto a seguir trata-se de uma fanfiction também postada no Nyah! Fanfiction, os vídeos acima foram extraídos do Youtube e Vimeo, escolhidos pelo motivo de que a fanfiction foi inspirada na música "All I need" e as imagens são utilizadas como inspiração igualmente.

A campainha soou e a morena desceu as escadas correndo. Quando abriu as portas de vidro, uma rajada de vento penetrou a casa acolhedora como uma advertência para que ela voltasse para dentro. Mas ela somente apertou o casaco quente contra o corpo e abriu a porta, encontrando uma caixa grande dourada e um bilhete em papel fino. Olhou em volta, mas só encontrou crianças rindo e brincando em meio à neve. Pegou a caixa e a carregou para dentro, depositando-a na mesinha de vidro. Abriu o envelope primeiro, não havia remetente, apenas tinha seu nome escrito em caligrafia rebuscada. Ela abriu o envelope e encontrou uma carta com caligrafia semelhante, com os dizeres: “Estou lhe esperando às 7.”

Ansiosa, abriu a caixa e encontrou um vestido, sapatos altos, uma máscara de cobre e joias. Sorriu abobalhada e aguardou à espera da festa;

Ela chegou na hora marcada, e encontrou uma mansão bem antiga, quase caindo aos pedaços. Com receio, entrou, encontrando várias pessoas vestidas elegantemente em trajes de gala e rodopiando no salão ricamente decorado em que nada se assemelhava com a fachada desgastada.

Um homem veio lhe receber, uma máscara escondendo sua face. O coração acelerou e ela chega teve uma vertigem pela atração que sentiu por aquele homem. Ele sorriu para ela, e tocou em sua mão, beijando-a como no século passado. Ela só conseguia olhá-lo, encantada. Ele a levou até um local quase isolado, e a tomou para uma dança lenta.

– Você veio. – Ele comentou como se tivesse certeza que isso aconteceria.

– Como poderia perder a chance de analisar um assassino em meio aos “amigos”? Uma boa jornalista não pode deixar isso passar jamais.

– Você não veio por causa da carreira. – Afirmou.

– Não. – alguns segundos de silêncio. - E você vai me matar. – Ela sorriu o fitando.

– Sim. Mas você terá a chance de usufruir dos prazeres mundanos dos socialites.

– Poxa! Como isso soa emocionante! – comentou irônica e ele apenas deu de ombros.

Dançaram por alguns minutos, até que a valsa acabou e todas as luzes se apagaram, enquanto as pessoas se acomodavam em acentos organizados em um círculo. Ele a guiou para um local mais escondido e se sentaram. Duas garçonetes serviram bebidas coloridas em taças de cristais ornamentadas com ouro e se afastaram. Ela encostou a cabeça no ombro dele quando tambores começaram a tocar e fitas coloridas desceram do teto e logo depois bailarinos dançavam uma música suave voando nas fitas. Todos olhavam hipnotizados, mas somente ambos pareciam alheios ao show, apenas ansiosos para que terminassem tudo logo e provassem se ele seria capaz de mata-la, mesmo que ambos soubessem que sim.

– Você não deveria ter vindo. – Ele sussurrou para ela.

– Sei que não, mas algo em você me faz fazer apenas idiotices.

– Você é idiota. Acha que pode me mudar.

– Sim. Acho, e sei que posso.

– Mas idiota que eu achava.

– Com certeza. – Ele tomou seu queixo com uma mão e a guiou para um beijo.

– Vai mesmo me matar? – Ela perguntou, se afastando.

– Você sabe de mais, e não está me deixando escolha. Mas…

– Mas? – Ela o incentivou.

– Mas eu não quero. Eu queria querer mudar, mas eu não quero. E nem sei se posso, e você está pedindo para ser morta. Como posso não lhe matar, quando você fica praticamente implorando para isso?

– Eu não estou implorando. – Protestou.

– Só fica me seguindo e me desafiando. Tem sorte, já deveria tê-la matado.

– Olhe pelo lado bom, hoje você vai me matar.

– Sim. Então aproveite as últimas horas da sua vida. – A apresentação continuou, assim como a distribuição das bebidas alcoólicas, algum tempo mais tarde era visível a alteração na garota.

– E então? Essas pessoas sabem que você é um estripador? – Ela perguntou rindo e zonza.

–Alguns sim, outros não…

–Imagina se todos soubessem? – Ela se virou para as pessoas que conversavam no meio do salão e gritou: - Gente, estão vendo esse cara aqui? Esse aqui do meu lado? Adivinhem: Ele é o estripador que tanto procuravam! – Ela gargalhou e algumas pessoas desviavam o rosto sentindo vergonha alheia. – Ele é um cereal… Serial… cere… - Ela tentou falar, com a língua enrolando. – Ah, um cara mau! Muito mau! E adivinhem: Ele vai me matar! Não é legal!

–Hey, vem. – Ele começou a puxá-la e ela ria e gritava mais alto. Ele tampou lhe a boca e a puxou em meio a protestos. – Você está louca? – Sussurrou alterado pela raiva. – Não pode sair gritando isso. Cale a boca. Eu não vou lhe matar! – Ela parou.

–Não? – Perguntou, fitando-o com uma expressão infantil.

–Não. Não posso fazer isso. Eu quero mudar. E escolhi uma música para dançarmos enquanto você pensa se vai me ajudar a mudar ou não. Eu disse que queria que esse baile fosse especial e inesquecível, e todo baile precisa de uma dança lenta para terminar, não é? Pois dance comigo, querida. Dance como se fosse nosso último encontro. – Pareceu que o álcool parou de agir sobre a morena, e ela depositou a mão sobre a dele para dançarem, no momento exato que a música começava.

Conforme a letra da música começava a se desenvolver, uma lágrima desceu pela bochecha da garota lembrando-a do que era aquele homem que ela abraçava. Do que ele havia feito à tantos… Ele era um Assassino. Um Psicopata. Um Serial Killer. Um cara que havia tentado lhe matar. Mas ela tentava mentir para si própria, que ele queria mudar. Que ele a amava tanto e estava arrependido de tudo o que havia feito. Que agora ele não ia mata-la ou feri-la. Ia tentar mudar por ela. Mas ao mesmo tempo que as palavras dele ecoavam em sua mente, as imagens do que ele havia feito voltavam com tudo, querendo acabar com as palavras doces e a deixando meio zonza. Ela pensou em se afastar, em correr dali, mas ele a apertou mais forte e sussurrou em seu ouvido:

— Essa música diz o que quero dizer. — Ela fechou os olhos e viajou na música:

“Você ainda pode ver um coração em mim?

Toda minha agonia desaparece

Quando você me envolve em seu abraço

 

 

Não me deixe mal por tudo que eu preciso

Faça do meu coração um lugar melhor

Me dê algo em que eu possa acreditar

Não acabe com isso, tudo o que resta de mim

Faça do meu coração um lugar melhor

 

 

Tentei tantas vezes, mas nenhuma foi real

Faça isso ir embora, não me quebre em pedaços

Quero acreditar que dessa vez é de verdade

Me salve do meu medo, não me deixe mal

 

 

Não arranque de mim tudo o que eu preciso

Faça do meu coração um lugar melhor"

No final da dança ela chorava e lhe dizia que o perdoava, dando-lhe um beijo no meio do salão, seguido por gritos eufóricos. Ele a pegou pela mão e a guiou para a sacada vazia, lagrimas deslizando pela face de ambos.

Ele a abraçou e tirou sua própria máscara, olhando-a fixamente com um sorriso.

– Você pode mesmo ver um coração em mim? – Perguntou com um sorriso tentando se arrepender realmente de tudo que já havia feito.

– Sim. – Ela sorriu. – E farei do seu coração um lugar melhor. Sabe como?

– Me amando? – Ele perguntou com brilho nos olhos e beijando o pescoço dela. Mas ela se afastou um pouco, balançou a cabeça e sorriu malignamente.

– Não... Arrancando-o! – Antes que ele reagisse ela sacou a faca escondida na cinta-liga em sua cocha e com toda a sua força enfiou a lâmina afiada na carne quente do peito dele, o sangue espirrando na face com uma expressão tão voraz e raivosa com um sorriso macabro. Ela retirou a faca e ele a olhava com lágrimas descendo e um grito preso na garganta.

– O-o que? – Gaguejou.

– Agora você queimara no inferno. Está vendo o que você me fez fazer, querido? - Outras lágrimas deslizaram pela face albina, contornando o sorriso diabólico. - Me fez matá-lo. - Ela sussurrou e o beijou na testa. - Me fez tornar-me como você. Me fez ter essa sede de ver alguém morrer em meus braços, ver o último suspiro, escutar a ultima respiração, o último pulsar do coração, ser a última a ser vista pelos olhos aterrorizados e vê-los perder o foco, e ser a última a sentir o calor confortador da pele, e se sentir como Deus, podendo tirar a vida de quem quer, e deixar viver todos aqueles que morreriam por suas mãos, por que eu sei que eu os estou salvando, eu sei que se eles soubessem iriam me agradecer, me dariam um abraço, um beijo, e um obrigado com muito mais sentimentos que você! Eles me amariam como você jamais me amou! - Ela o olhou com raiva, desmanchando o sorriso e esperando que ele pedisse perdão, mas ele não o fez, somente riu. Um riso alto que ecoou, formado apenas por sarcasmo e prazer na tortura.

– Você não os salvou! - Ele a fitou, ignorando completamente a dor na sua costela. - Eles vão morrer, seja pelas minhas mãos, ou seja pelas suas, ou qualquer outra forma. Você pode apenas ter adiado a morte deles. E admita, admita agora mesmo: Eu não lhe fiz assim. Você sempre foi assim.

–Não... - ela balançou a cabeça visivelmente irritada. - Não! Não! Não!

–Sim, sim, sim, baby! Você sempre foi assim. Sempre sentiu o prazer de ver como a morte pode ser dolorosa para eles, mas incrivelmente prazerosa para você. Sempre quis ter tudo, controlar tudo e quando matava seus animaizinhos de estimação, você sentia! Sentia o poder de controlar uma vida. Sentia que podia ter até mesmo a morte de quem queria! Você nasceu assim! Admita! Você é uma psicopata!

–Não! Não! - Ela começou a berrar, tampando os ouvidos e o sangue dele deslizando por seus cabelos.

–Você é como eu! - Ele berrou mais alto. - Você também é uma assassina!

–Não! Não! Não!

–Você também quer matar todos! Você também quer ver o sangue jorrar!

–Não! É culpa sua!

–Você nasceu assim! Você sempre foi assim, mas nunca admitiu! Admita agora!

–Não, não!

–Sim! Você matou aquela garota! Não fui eu como todos achavam! Foi você! Você sempre foi um monstro! Como eu! Você sempre só esteve comigo por que sabia que eu lhe daria coragem para admitir quem você é!

–Não! Não! Cale a boca! Cale-se!

–Você sempre foi um monstro! Um monstro covarde e amedrontado! - Ela gritou mais alto e enfiou a faca mais uma vez, retirando a para enfiar novamente, e assim repetidamente, aos poucos formando o sorriso de uma criança em um balanço voando. Ela sentia que voava, que se libertava do peso e da gravidade e voava. Por fim ela se levantou, satisfeita por ter tido o melhor baile da sua vida, um baile perfeito, no qual havia livrado o mundo de um estripador que havia matado mais de 50 mulheres apenas pelo seu prazer. Ela tirou a máscara de cobre do rosto, revelando a cicatriz que ia da testa até perto da boca, quando quase foi morta por ele, mas com sua astucia conseguiu se libertar e enganá-lo. Com a astúcia de uma Serial Killer ainda melhor. Melhor do que todos os serial killer que estavam reunidos naquele baile perfeito,Um Baile Mortalmente Perfeito.